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terça-feira, 29 de novembro de 2011

Pensassonhos Soundtrack: Tame Impala



Esse post aqui marca o início de uma nova série de posts que vou postar. Não apedrejem minhas redundâncias, eu seu que vocês gostam. Enfim, nada melhor pra começar do que com essa banda australiana que está definitivamente abalando. O nome é Tame Impala, uma banda australiana formada em 2007. O nome faz referência à um antílope chamado Impala, portanto, “Impala Domado”, mas ou menos isso. Seus integrantes são Kevin Parker (guitarra principal e vocais), Dominic Simper (guitarra), Nick Allbrook (baixo) e Jay Watson (bateria e vocais de apoio).

A banda é pioneira e ganha muita importância no psychedelic revival que estamos vivenciando recentimente. Eles tem um som único, paralelo aos Beatles, rock’n’roll  em boa medida, sem muitos luxos nem exageros, meio garage rock melódico com heranças progressivas / psicodélicas, vocais que ecoam, acordes maneiros e experimentações, bateria precisa e bem improvisada, baixos com aquele groovie... É sensacional. É como dar uma passeada em alguma praia extraterrestre, fumando um baseado e namorando, enquanto o frescor do início da tarde vem chegando e os olhos não ardem com o sol ameno. É como ver que a vida é feita pra ter graça, não sentido. Ao mesmo tempo, a veia roqueira e a poesia das letras descem redondo.

Enfim, não vou dar muitos detalhes técnicos. Aqui vão algumas músicas: 




sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Pensassonhos Reborn: Magazine já! Legalize!



Eaí caças-polêmicas de plantão! Tenho um artigo Pensassonhado para vocês, filhos das boas mães de gordas mamas brasileiras! É com prazer que anuncio o retorno do meu blog, que agora virá com muito mais força de impacto! Vai aqui uma boa confirmação de fatos: hoje é o dia da legalização da maconha.

E O QUE ISSO TEM A VER COM A REVOLUÇ@O?

Tudo! A vontade do povo requer resposta positiva. Fisicamente somos maioria. TEMOS CONSCIÊNCIA GLOBAL! Somos uma civilização! E temos direito à nossos hábitos, felicidades, pois precisamos viver.

Gostaria de comunicar aos hipócritas pseudocaretas e suas pulgas que renuncio ao preconceito, e não aceitarei ser alvo de um! Sim, senhoras, senhores e reticências! Não estigmatizem meus hábitos canábicos! Tem gente com hemorróida por aí, isso sim é problema! Existem idiotices e DST's!

...

Ufa! Agora vou falar do blog. Este blog vai tornar-se uma magazine, entenderam? Vou variar o conteúdo fodásticamente. Vai ter de tudo, menos pinto de borracha. Mas essencialmente assuntos que podem mudar a porra do mundo. Filosofia, artes em geral, ciência, a verdadeira espiritualidade, sem religião, sem estigmas, sem preconceitos, sem falta de sacanagem, sem leis! Sem cegueira, mas uma observação limpa e conectiva em relação à realidade!

Ufa. Enfim, vou voltar aqui em breve. Poesia, música e trocadalhos do carilho. Tipo, transmimento de pensassão, hehe.

Legalizem agora, jah!

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Pensassonho



Que é esse vão palavrão?
Essa palavra inventada,
Esse dono sem cão,
Esse cão na estrada?


Pensassonho é um pensamento livre,
É livro livre, sonho que flui lento.
É rápido, é lógica, elétrico talento
Nos fios frios de lá de dentro do pensamento.

(É um fluido que se torna forma recipiente)

Pensassonho é liberdade da mente
que se sente.
Oxigênio suficiente.

Para gerar um pensassonho,
Fundir ferro com vento.
Dando aos pensamentos asas de sonho,
Dando aos sonhos força de pensamento.


Unir coisas antagônicas:
Juntar o dia e a noite.
Fazer amor em meio a piadas cômicas,
Derrotar ditadores, calar o açoite...

Pensassonho é uma base para construir.
É o início, tentativa de pensar sem pesar...
(Princípio da Incerteza).
— Portanto: 
                     pense, sonhe, pensassonhe.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Revolução Elétrica



Livres elétrons sem massa
Massivamente correnteiam
geram atrito, calor, queimam.

Um coração inflamado
queima enquanto acorda.

Desfibrilador                     dor
Dor ressucitante                recitante
queima enquanto acorda - acorde
Sem dó.                                             Dó menor.

Vejo mil
Corpos queimados
Dois mil
Olhos estalando
Glóbulos e partes
De um todo
Correndo sobrevivos
Numa solução plasmática insolúvel
Corrosiva em corredores.

Vejo coágulos queimados
Nos fios de alta tensão

Elétrons gritantes, lampadas mágicas e
Gênios retirantes desesperançosos negativamente caregados
Cansados de suas órbitas cotidianas.

Tudo confuso nervoso anamórfico
Tudo queima enquanto acorda.
...

Na nossa marcha eletrônica
o circuito é tenso, e as resistências
grandes. Passamos e incandescemos.
Luz, calor, tudo muito chocante.

Nas ruas, as lâmpadas acendem,
E tudo queima enquanto acorda.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Dourazul



Voando avoado revoando
Sobrevoando o céu azul
Azul azulando azulejo
Sob o cortejo do Sol no Céu
Sob o cortejo do Sol no Céu

Dourado do Sol no céu azul
Dourado do céu no Sol azul
Dourado no azul e o Sol no céu
Corado sabor de mel
Corado sabor de mel

domingo, 31 de julho de 2011

A Persistência da Memória



(lembranças solutas em sentimentos quase póstumos)

INTRODUÇÃO

No escuro
Vértice                                                                                                                           Vórtice
Córtex

— Engraçado, sempre me lembro da chuva
                                                                    e
                                         Do céu nublado e
Da admiração que tinha pelos raios.
Raios.
! Que os invoco agora !
Pois você que outrora minha nuvem
Pois você que outrora
em mim
precipitou-se como um temporal
                                                             atemporal
(com tudo que lhe constrói o caráter: ventania, raios, fúria etc.).
— Você aqui persiste.
                                        na memória.
Nas minhas janelas, nos meus memory cards

Neurais                                                                                                                      Cerebrais
Celebrais

Aliás, não apenas tu, Outrora. Outros seres também persistem aqui.
Também persistem:
Vós. Vós todos que aí estão.
(marimbondos do meu passado)
Vocês, que persistem em minha memória, são testemunhas de que existi, assim como eu testemunho a existência ainda que passada de vocês.
Justo.
...

PARTE I

Verdade. Atesto que, Sim, existi. Fui real um dia, tive história.
Já a morte...
A morte
Contêm-se
Em sua insignificância.
Pois nem a morte é capaz
De capturar a luz tão incidente
Do passado persistente
Paz                                                                                                                                 Fugaz

A morte não sobrepuja a memória da vida.
Sim, pois o próprio universo lembrar-se-á
                                                                            Da vida.
(amém)
...

PARTE II
Eis que eu, então, sendo filho do Pai,
Filho direto do universo, da existência...

[re]                                                                                                                           resistência
          (r)existência                                                                                       persistência

— Eu, sendo filho feito à Sua imagem e semelhança:
                                      Lembro.
           

Temos a dádiva da mente
e na mente temos memória.
...
PARTE III

Lembro do tom da primeira rosa e
Da terra que a circundava.

(Terra vermelha. Rosa vermelha. Formigas vermelhas).

Assim como tatuei no campo das lembranças os lábios teus.

Ver                                                                bios                                                          Melhor
Lá
Melhor                      Me                           Ver
Vermelhos...
(lábios)

— E não quero e não vou esquecer-te! Pois és tu, Outrora, a minha nostalgia analgésica.

...

PARTE IV

Ah, não me conformo com o esquecimento. Falo do esquecimento proposital, da fraqueza psicológica que nos pede para esquecer.
Considero o cúmulo do desprezo
(e mesmo do desrespeito)
abandonar fragmentos recicláveis
da vida própria em
páginas quaisquer na
lixeira do Nunca Mais,
e jogar o Antes
aos vermes.

(esquecer assim é peneirar o Sol com nuvens)

...



PARTE V

 Aos                                                             Vermes.                                            
  — Nuvens.
Rever           ver          mês       chuva      cumulonimbus
Vermes                                                                                                                    Vermelhos

Eu bem que poderia esquecer
aquelas palavras,
aqueles vermes vermelhos
saindo da boca daqueles
 que me ofenderam
E me sugaram o sangue
Vermelho
Naquele mês, naquele dia chuvoso, nublado, lampejante.

“Engraçado, sempre me lembro da chuva, do céu nublado, da admiração que tinha pelos raios.”

Poderia também esquecer
o escuro que se expandiu lá
no vórtice da minha amargura
no vértice da minh’alma.

Mas não me esqueço não, pois lapidar minha aflição foi aprendizado autodidata.. Aprendi a caçar por ter me enfadado de ser presa. Aprendi a amar o escarlate.

...

PARTE VI

Portanto eu lhe rogo, querida: Não te esqueças de mim.
Não...
Sejas testemunha de que eu existi e
Seja prova viva
De um amor que existiu.
Façamos um pacto para não dissiparmos a memória já esparsa de nossa história.

Então seremos
Testemunhas
De uma força que move a humanidade.
Assim sorriremos quando chegar o dia
De testemunhar
No Juízo Final.

...

FINAL

Rogo à vocês também,
À todos vocês que ainda vivem,
Imploro à vocês que ainda persistem enquanto eu fui embora já:

Não
Se esqueçam
De mim.

Não
Se esqueçam
Da vida.

Não esqueçam os aprendizados mais valiosos, não esqueçam os sentidos de estar no mundo.
No final das contas,
Gritemos um brado fragoroso, mais que retumbante
                                                                                          Para que Tudo que Há
Também se lembre de nós depois de partirmos.

Um dia o Universo há de sentar-se. Neste dia ele se lembrará de nós. Sejamos a Persistência da Memória da Existência.
Aqui vai uma mensagem para o pós:
— Nós estivemos aqui.
PS: Amo-te. Um beijo.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Em meio aos escombros.





Pra vocês que não me conhecem, vou tentar me transparecer um pouquinho. O que, venhamos, não é lá uma coisa simples: transparecer-se. Não só porque a carne não é transparente: a luz raramente passa pela essência de alguém. Então já comecei bem - errando - ao dizer que eu iria me transparecer. Na verdade o que eu vou fazer aqui é, através de símbolos e códigos comunicativos, bem como imagens, transmitir minha essência à vocês, leitores. E espero que minhas palavras ajam bem como ondas de rádio sem interferência alguma. 

Mas já vou avisando: sou jovem. Tenho 17 anos de idade e nasci no ano de 1993, no mesmo mês da Batalha de Mogadíscio na Somália. À mim isso interessa mais do que o signo: Libra. Mas falei. 

Certo. O primeiro aviso é dado. O segundo: peço perdão às garotas românticas; daqui não escorrerá mel. Essa coluna é mais uma lâmina da Revista Crase. É para quem pensa. Ao contrário. Portanto não busquem aqui a minha faceta mais sorridente (apesar da foto da coluna), tampouco meu Eu mais suave. Aqui vocês verão um cenário de guerra, com poesias no estilo "3000 rounds per minute". Munição traçante. Tá bom, eu exagerei. Afinal, a ironia ácida que aqui tentarei colocar fará cócegas: espero que aqueles que não tenham humor possam dar uma risadinha tímida, talvez uma que nem se externe e permaneça dentro do diafragma. 

Vocês terão, caso queiram, oportunidade de me conhecer melhor mais para frente. Eu esperarei numa fenda numa calçada: aquela formiguinha, sabe? Não não, a que morreu não. 

E muita coisa eu tenho pra dizer ainda. Mas a calma é necessária. Mas só depois do grito. Sim sim, depois que o grito se esvair até o último arranhão, mandarei beijos. 

Mandarei beijos e música. 

Em meio aos escombros. 



Conheça minha coluna na Revista Crase, Sistema Nervoso!
http://israel.revistacrase.com.br

domingo, 12 de junho de 2011

Olá, alguém aí? 3/3.



Artigo 13º - Sabendo, pois, que minha espécie está mais interligada do que nunca, proponho com este livro o debate, o diálogo, a interação. É assim que me torno testemunha de meu tempo – Meu Tempo que é multi, que é inter, que é universo, que é gênesis e também apocalipse, que é 8 e 80, que é micro e macro. Gostaria muito, também, que estas palavras todas se excedessem para dialogar com outras formas de arte, e com outras formas de vida.
Artigo 14º - Ao realizarmos essa viagem, vez ou outra, enfrentaremos grandes pequenas questões, tanto quanto simplesmente pararemos em algum lugar para observar o voo de uma abelha. Os pequenos momentos do cotidiano formam toda uma linha do tempo. É assim que iremos começar nossa jornada: pequenos. Pois é preciso ser pequeno para crescer. É preciso entender que as pequenas palavras são as mais poderosas: amor, paz, sonho, vida, morte, tempo, tudo, nada...
Artigo 15º - Todavia está claro que iremos crescendo, expandindo até o fim do livro. Sejamos como o cosmos. Cresçamos, ganhemos força. Sabe-se lá que confins alcançaremos, sabe-se lá quão grande há de ser nossa força gravitacional.
Parágrafo Único: Advirto ao leitor que leia aos poucos, pois há risco de overdose. Leia assim, aos pouquinhos, como se o mundo não fosse acabar amanhã (será?). Vá bebendo este vinho novo, saboreando, sentindo o aroma, a textura, observando as cores da fumaça do incenso.  Só não me abandone, por favor.
Artigo 16º - Este livro está cheio de pensamentos, e também cheio de sonhos. Em certos momentos, fundir-se-ão pensamentos e sonhos. Não falo dos sonhos noturnos, não falo de polução noturna. Falo de aspirações.
Artigo 17º - Peço perdão se muitas vezes transmitirei incerteza. A incerteza faz parte da minha biografia. A incerteza é o que me instiga a querer seguir.
...Que mais?
Nada. Concluindo:
Convido-te, a partir de agora, a pensassonhar comigo. 

______________________________________

Para ver as partes 1 e 2, basta ir descendo aos posts anteriores. ^^
Arte: Paul Klee.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Olá, alguém aí? Parte 2.


Para ver a primeira parte, basta descer até o post anterior. 

__________________

Parágrafo Único: Tentativa adolescente? Verdade, este é outro fator determinante na escultura da obra: em minha atual idade, sou considerado “adolescente”. Aí já viu. Adolescente... Uma criatura infame do mundo inferior – curioso, irresoluto, efêmero. Com a enorme tarefa de viver o tão desejado aqui e agora sem deixar de planejar o futuro. Enfim, um ser incompleto caminhando para ser... Caminhando para Ser (ponto).
Artigo 7º - Portanto, o fato é que com esta obra (Ó dó de ti) quero te levar a tentar e tentar comigo – que tentar é uma tentação... Verás. Mas tentar o que? Tentar crescer como ser humano, tentar alcançar entendimento e inspiração. Tentaremos juntos voar por sobre muralhas e sairmos da caverna da alienação. Verás.
Artigo 8º - Palavra de réu: nego a acusação de jogar palavras ao vento. Não, eu não jogo palavras ao vento. Eu elevo meus pensassonhos aos ventos e eles voam (para isso as asas). Pois não sou um ditador das palavras tampouco de suas interpretações, portanto lhe concedo a liberdade de tomá-las e colocá-las na forma que mais desejares, e se apropriar delas para que estas façam parte de sua vida (que, como a minha, não tem sentido predefinido). Quero fazer de minha vida e de minha obra um patrimônio comum de todos.
Artigo 9º - Autoria? Bem, se sou autor é por que fui eu quem (perdão pela palavra) vomitei isso aqui. Mas acaba nisso. A autoria é minha, mas o vômito em si não. Veio de mim, mas com graça vos dou – aprendi a compartilhar. Universalizo-me, eu que já sou cidadão cosmopolita. O conhecimento e a inspiração são de todos (se já disse, repito). Eu? Eu sou apenas um glóbulo nessa veia.
Artigo 10º - Pensassonhos por quê? Explico. Pensassonho é um fluido que toma a forma do recipiente que o guarda. Pensassonho não é exatamente um conceito firme, mas uma brincadeira de palavras que procura nos trazer simples ideias: pensassonhar, em suma, é o ato de poder pensar, de maneira fluida, própria e livre (livre de preconceitos e ideias criadas pelo capitalismo selvagem, pela mídia manipuladora, pela publicidade canibal etc.), libertando assim a inteligência e os talentos naturais para que estes possam ser usados na conquista dos sonhos e da felicidade.
Artigo 11º - A interpretação, claro. É fato que cada partícula deste livro guarda uma mensagem, mas não se sabe quantas mensagens cabem nas partículas. Certos poemas são inscritos em rocha, outras palavras podem estar escritas em nebulosas, vai saber. Fiz assim para que haja uma relação mentalmente sexual entre tu e este livro. Desta forma, não apenas a obra preencher-te-á, como tu preencherás a obra. Ao tentar interpretar esses hieróglifos, entenderás que certas vezes a mensagem é óbvia, e noutras circunstâncias a mensagem será criptografada. Assim, gerar-se-á confusão e daí nascerá o caos e então virão questões. O caos se encarrega de gerar. E a questão é a gênese do conhecimento.
Artigo 12º - E fiz assim (siga em frente) para criar um espécime de quebra-cabeças, com partes móveis e interligadas, as quais você certamente vai apalpar e remontar e colocar sob outros ângulos. Isto não é uma bíblia publicitária, mas um pequeno livreto de filosofia primordial, ou de simples observação. Este livro foi feito para ser visto de diversos ângulos, sob o olhar de diversos observadores, através de lentes multifocais. 

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Olá, alguém aí? Parte 1.

Os primeiros seis artigos do primeiro capítulo de Pensassonhos. Enjoy!


Olá! Alguém aí? Por favor, atenção.
Artigo 1º - Este é meu ponto de partida e partindo daqui encontrarei meus rumos. Esta obra é meu primeiro esboço, meu rabisco, meu aprendizado, meu prólogo. Estas palavras todas são células tronco que se desenvolverão em tecido poético - filosófico - psicológico – científico etc., ou textos esparsos - contemplativos - inspirados - prosados - prostrados - propostos - indefiníveis. Acima de tudo, no princípio havia liberdade.
Artigo 2º - Este livro é meio esfumaçado em certos pontos e sólido em outros. Não espere aqui encontrar o sumo bem ou mandamentos concretos ou autoajuda. Tentei, com essas palavras, construir uma estrada em direção ao conhecimento (sobre mim e o resto), ou um caminho para que eu pudesse me expressar (sim, isso sim). Mas perdoai-me, pois sou náufrago de primeiro mar. Fiz o que minha vã filosofia permitiu. Assim eu humildemente lhe ofereço minhas entranhas, minhas quimeras mais intrínsecas, minhas tentativas e falhas.
Artigo 3º - Peço que sejas crítico, reflexivo. Não aceite facilmente minhas palavras. Deguste-as e as ponha sob um olhar de juiz. Critique-me, que tua crítica faz-me crescer. E faça o mesmo com tudo que te cerca.
Artigo 4º - Fique claro (haja luz): este livro não é estável. É como a vida. Escrevi como quem faz planos já sabendo que algum imprevisto pode sim ocorrer, talvez um flash, um big bang, um sequestro relâmpago, o tal do big crunch[1], sei lá. Escrevi como quem sonha (por amar um bom escapismo), contudo mantendo a noção da complexa realidade da existência (afinal, como poderia eu me desprender da existência?).  Escrevi conforme meus pulsares[2], ou conforme minhas frequências ultrassônicas inconstantes. E acrescento a essa receita uma quantidade enorme de: Eu. Egoísmo? Não, apenas a necessidade quase fisiológica de me expressar senão ai de mim.
Artigo 5º - Não te incomodes, Oh Intelectual, Oh Ser Super Súpero Supremo Altivo, se fiz desta obra, em certos momentos, uma coisa um tanto simplória. É que o simples é mais direto, mais abrangente. Também sossegue você, criança da periferia ou adulto desacostumado ao ato de ler, sossegue se esse livro te parecer meio complicado. Com um pouco de insistência, um bom dicionário e alguma outra ajudinha, você vai ver que fica tudo fácil e bonito. Importa é não desistir, a não ser que não te agrade. Fazer o quê se nem Deus se agradou totalmente de suas obras...
Artigo 6º - Este livro é como uma espécie de ensaio ou experiência. Um quase, um quasar[3]. Ou muito melhor, uma Tentativa. Isso... Pois bem, esta obra é uma tentativa. Uma tentativa adolescente de assoprar para fora de mim meus próprios pensassonhos. Temo errar, mas se erro é por que tenho alma. É errando que se aprende. Mas acima de tudo, no princípio havia a dúvida.


[1] Teoria segundo a qual o universo irá se contrair e entrar em colapso sobre si mesmo, num futuro distante, devido à atração gravitacional.
[2] Pulsar: Estrela de nêutrons cujo eixo eletromagnético não coincide com seu eixo de rotação.
[3] Abrev. em inglês de Quasi-Stellar Radio Source. Núcleo galáctico ativo, altamente energético e muito distante.

...

Imagem: Redon - Esqueleto.
Próximo release: 06/06/11.