domingo, 28 de agosto de 2011

Motivar-te!



Serve pra desafogar-se e inundar-se de Vida Viva e sem disfarce; É para amar o amor mar, para não matar, para se deixar se chorar; Para ir carpir o mato que cresce no seu tato; Lembrar, lembrar e se esquecer; respirar pirotécnico e pirar e sufocar as mágoas, voar águas e beber águias; para apaixonar-se quebrar o céu rasgar o véu; para fugir e se achar...

Pra dar amar amor fulgor; pra vicissitudes vícios atitudes altitudes quietas quitutes sutis vis civis; pra palavrear palavrão tão teto quanto chão tão sim quanto não coração arroz feijão são; pra louco demente mente semente sente maluco doido tendo ido longe demais por hoje; pra (des)organizar as coisas num lugar achar noutro (des)encontrar; pra (ar)tesão beijo paixão sexo sem nexo; pra feliz aprendiz fossa bossa nossa coça roça moça bonita e meu violão!; 

pra inteligência ciência crença raça  religião mundão inteiro!; pro (a)normal ser humano racional transcendental (in)orgânico animal elétrico eletrônico biônico robótico ciborgue telescópico; pra todas as criaturas vivas do universo; pros alienígenas (des)alienados e civilizações extras extraterrestres extrauniversais extraordinárias ordinárias ou não; pro irreal tópico utópico imaginário... Pra tudo!

Arte! Pois somos humanos!

domingo, 21 de agosto de 2011

Lamaluz




à Alika Finotti

Um Shaman perdido                                                      um talvez
Homem – expresso                                                      eterno               paciência
Imerso em simplicidade, de si, do resto. Sem rótulo. Sem rótula.
Em paz, ciente.
Humilde criatura nascida n’África, quiçá planeta Terra,              nascida do resto
Filho da célula primeira, filho da mãe, filho
                                                                    Da Existência agora autoconsciente.
T u p y
T u c a n o d a m a t a c o l o r i d a.
Uma hora, uma hora o filho pródigo volta à casa.                              Don’t worry.
O prodígio volta pródigo à lama             -                     sim, por os pés na lama e                                                                                                                                                                                                             sentir o espírito mineral, a penetração sexual dos sais nos poros
Contato imediato de santo graal.

Agora há o sentir da essência ao longo dos longos.
Agora surge um ciborgue orgânico, que dança em raves viranoites viralatas.
Um ser extracorpóreo transcende os limites da pele
                                                                             Suor tônico de dança osmótica.
Quebra a muralha, há a percepção da totalidade.
 Molda a nova percepção com barro. O filho do laser e do gelo seco, a personificação transmoderna da psicodelia.
A criação, em sua humildade, vive em aldeia.
Glóbulo, globo, na veia, fluxo informacional da Existência.
Dance! E ligue-se à natureza. Na lama fosforescente, o espírito passa a existir.


sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Revolução Elétrica



Livres elétrons sem massa
Massivamente correnteiam
geram atrito, calor, queimam.

Um coração inflamado
queima enquanto acorda.

Desfibrilador                     dor
Dor ressucitante                recitante
queima enquanto acorda - acorde
Sem dó.                                             Dó menor.

Vejo mil
Corpos queimados
Dois mil
Olhos estalando
Glóbulos e partes
De um todo
Correndo sobrevivos
Numa solução plasmática insolúvel
Corrosiva em corredores.

Vejo coágulos queimados
Nos fios de alta tensão

Elétrons gritantes, lampadas mágicas e
Gênios retirantes desesperançosos negativamente caregados
Cansados de suas órbitas cotidianas.

Tudo confuso nervoso anamórfico
Tudo queima enquanto acorda.
...

Na nossa marcha eletrônica
o circuito é tenso, e as resistências
grandes. Passamos e incandescemos.
Luz, calor, tudo muito chocante.

Nas ruas, as lâmpadas acendem,
E tudo queima enquanto acorda.

domingo, 7 de agosto de 2011

Ô Mãe! (Mãe e filho num ponto de ônibus)



—Ô mãe!
— Quê.
— Aquele moço ali tá todo sujo de tinta, óia.
— É.
— Por quê?
— Por que ele está trabalhando.
— Ah...
O menino fez uma pausa. Depois, novamente uma feição interrogativa. Perguntou:
— Ele é pintor?
— Mais ou menos, filho. Ele pinta paredes. E pelo jeito é bom nisso, olha como está ficando!
— Ahn... Mas os pintores não são artistas?
— Nem todos. Esse aí é só um pintor de paredes.
— Ahn... Ô mãe!
— Que é... — Disse a mãe, perdendo a paciência.
— Ele é forte, né? É grandão.
— É que ele deve trabalhar muito, filho.
— Pra ficar musculoso pras mulheres?
A mãe gargalhou.
— Não, filho. Ele trabalha pra se sustentar, pra ganhar dinheiro.
— Ahn... Mas ele tá com uma cara triste.Será que ele é um pintor feliz?
— Sei lá se ele é feliz.
— Você nem se importa? — Perguntou a criança, surpresa, ingênua.
— Ué, filho, e o que é que eu posso fazer?
— Ah, sei lá. Mas ele não é pintor? Os pintores não são artistas? Os artistas não ficam felizes mexendo com aquelas cores bonitas?
A mãe ficou meio tonta. Quantas perguntas!
—Filho, em primeiro lugar, os artistas são malucos... E aquele moço não é artista, ele só pinta paredes! E ainda se suja todo e morre de calor debaixo desse sol forte.
— Peraí! —O garoto franziu a testa e segurou o queixo, como um pequeno pensador. — Então ele suporta o cansaço, a sujeira e o calor pra deixar a casa dos outros mais bonita? Então esse cara é um artista sim, e dos loucos.
A mãe se impressionou com o filho. Depois tentou explicar-lhe:
— Não filho. Esse homem não é artista, nem é louco. Ele faz isso porque precisa de dinheiro — disse ela, gesticulando “dinheiro” com os dedos.
— Ele sofre por causa de dinheiro? Mas o dinheiro serve pra quê se ele sofre? Esse cara é doido, mãe. Tô te dizendo...
A mãe riu um pouco e continuou.
— Filho, dinheiro serve pra comprar comida.
— E depois cagá tudo...
— Filho! Olha a boca!
— Desculpa. Mas eu acho que ele devia ser artista, sabe, parar de sofrer assim. Quem sabe, se ele for bom, pode ganhar dinheiro e comprar comida!
— Ai, esse ônibus que não chega... —Exclamou a mãe, impaciente. — Filho, para de fazer tantas perguntas! Você só tem nove anos! Não pode querer resolver os problemas dos outros.
—Tá bom mãe... — Disse o garotinho, triste...
Fizeram uma pausa. O ônibus já estava chegando, mas o garoto não tirava os olhos do pintor. Foi então que:
— Já sei mãe! Então quem vai virar artista sou eu!

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Imagem: Obra de Paul Klee



quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Dourazul



Voando avoado revoando
Sobrevoando o céu azul
Azul azulando azulejo
Sob o cortejo do Sol no Céu
Sob o cortejo do Sol no Céu

Dourado do Sol no céu azul
Dourado do céu no Sol azul
Dourado no azul e o Sol no céu
Corado sabor de mel
Corado sabor de mel

domingo, 31 de julho de 2011

A Persistência da Memória



(lembranças solutas em sentimentos quase póstumos)

INTRODUÇÃO

No escuro
Vértice                                                                                                                           Vórtice
Córtex

— Engraçado, sempre me lembro da chuva
                                                                    e
                                         Do céu nublado e
Da admiração que tinha pelos raios.
Raios.
! Que os invoco agora !
Pois você que outrora minha nuvem
Pois você que outrora
em mim
precipitou-se como um temporal
                                                             atemporal
(com tudo que lhe constrói o caráter: ventania, raios, fúria etc.).
— Você aqui persiste.
                                        na memória.
Nas minhas janelas, nos meus memory cards

Neurais                                                                                                                      Cerebrais
Celebrais

Aliás, não apenas tu, Outrora. Outros seres também persistem aqui.
Também persistem:
Vós. Vós todos que aí estão.
(marimbondos do meu passado)
Vocês, que persistem em minha memória, são testemunhas de que existi, assim como eu testemunho a existência ainda que passada de vocês.
Justo.
...

PARTE I

Verdade. Atesto que, Sim, existi. Fui real um dia, tive história.
Já a morte...
A morte
Contêm-se
Em sua insignificância.
Pois nem a morte é capaz
De capturar a luz tão incidente
Do passado persistente
Paz                                                                                                                                 Fugaz

A morte não sobrepuja a memória da vida.
Sim, pois o próprio universo lembrar-se-á
                                                                            Da vida.
(amém)
...

PARTE II
Eis que eu, então, sendo filho do Pai,
Filho direto do universo, da existência...

[re]                                                                                                                           resistência
          (r)existência                                                                                       persistência

— Eu, sendo filho feito à Sua imagem e semelhança:
                                      Lembro.
           

Temos a dádiva da mente
e na mente temos memória.
...
PARTE III

Lembro do tom da primeira rosa e
Da terra que a circundava.

(Terra vermelha. Rosa vermelha. Formigas vermelhas).

Assim como tatuei no campo das lembranças os lábios teus.

Ver                                                                bios                                                          Melhor
Lá
Melhor                      Me                           Ver
Vermelhos...
(lábios)

— E não quero e não vou esquecer-te! Pois és tu, Outrora, a minha nostalgia analgésica.

...

PARTE IV

Ah, não me conformo com o esquecimento. Falo do esquecimento proposital, da fraqueza psicológica que nos pede para esquecer.
Considero o cúmulo do desprezo
(e mesmo do desrespeito)
abandonar fragmentos recicláveis
da vida própria em
páginas quaisquer na
lixeira do Nunca Mais,
e jogar o Antes
aos vermes.

(esquecer assim é peneirar o Sol com nuvens)

...



PARTE V

 Aos                                                             Vermes.                                            
  — Nuvens.
Rever           ver          mês       chuva      cumulonimbus
Vermes                                                                                                                    Vermelhos

Eu bem que poderia esquecer
aquelas palavras,
aqueles vermes vermelhos
saindo da boca daqueles
 que me ofenderam
E me sugaram o sangue
Vermelho
Naquele mês, naquele dia chuvoso, nublado, lampejante.

“Engraçado, sempre me lembro da chuva, do céu nublado, da admiração que tinha pelos raios.”

Poderia também esquecer
o escuro que se expandiu lá
no vórtice da minha amargura
no vértice da minh’alma.

Mas não me esqueço não, pois lapidar minha aflição foi aprendizado autodidata.. Aprendi a caçar por ter me enfadado de ser presa. Aprendi a amar o escarlate.

...

PARTE VI

Portanto eu lhe rogo, querida: Não te esqueças de mim.
Não...
Sejas testemunha de que eu existi e
Seja prova viva
De um amor que existiu.
Façamos um pacto para não dissiparmos a memória já esparsa de nossa história.

Então seremos
Testemunhas
De uma força que move a humanidade.
Assim sorriremos quando chegar o dia
De testemunhar
No Juízo Final.

...

FINAL

Rogo à vocês também,
À todos vocês que ainda vivem,
Imploro à vocês que ainda persistem enquanto eu fui embora já:

Não
Se esqueçam
De mim.

Não
Se esqueçam
Da vida.

Não esqueçam os aprendizados mais valiosos, não esqueçam os sentidos de estar no mundo.
No final das contas,
Gritemos um brado fragoroso, mais que retumbante
                                                                                          Para que Tudo que Há
Também se lembre de nós depois de partirmos.

Um dia o Universo há de sentar-se. Neste dia ele se lembrará de nós. Sejamos a Persistência da Memória da Existência.
Aqui vai uma mensagem para o pós:
— Nós estivemos aqui.
PS: Amo-te. Um beijo.