segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Pra Quem Não Me Conhece


O texto à seguir está presente no meu livro, Pensassonhos, à ser lançado muitíssimo em breve, através da editora Anadarco. Posso dizer que o trabalho está ficando muti bom. Enfim, pra quem não me conheço, aqui vai uma palinha sobre mim.

...







De Alguma Forma sou de Forma Alguma


Eu.

Allegretto.

Eis que me apresento, me ponho sobre a mesa
Com (in)certa transparência e fosforescência
Tentando não ser tão estranho desconhecido
Pra quem me lê e de mim toma consciência.

...

Sou alguém (isso posto, fato é)
No meio do trânsito de muitos alguéns.
Sou, isto é fato.
Sou:

Moldado e constituído a base de
Carbono e H2O
Dentre outras ofensas bioquímicas.
Minha carcaça física material
É orgânica simétrica bilateral.

Sou tanto um quanto milhões,
Tanto ponto quanto reticências (...).
Sei que sem nenhuma transcendência,
Habito algum lugar no planeta Terra,
Na Via Láctea, na universal displicência,
Ou nalgum lugar em lugar algum.

Sou forma de vida inteligente.
Sou vida sem forma, consciente.
De alguma forma sou de forma alguma.

Poderia dizer que sou um animal
Multicelular mamífero primata
Perdido na tensa densa mata
Da civilização mundial.

Sou um indivíduo individual, peça qualquer
No recente tabuleiro da Humanidade.
Sou ser humano, antes de tudo. Ser humano...
O produto talvez mais insano
Da divina insanidade. (amém)

Sendo eu um ser humano,
(Criatura inteligente, mas não inteligível)
Sendo “Eu”: me expresso.
Assim, posso me expressar e dizer,
Nesse plausível momento sensível:

Sou um ser humano, multifocal, multiartístico, interativo e que interage com a multirrealidade (perceptível realidade incompreensível).
Sou um aglomerado de átomos, que de forma alguma, de alguma forma, tornou-se vivo e consciente de si mesmo.
Sou um jovem ser humano que pensa, logo existe. De alguma forma sou de forma alguma. E me chamo Israel Silva, prazer.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

A Arquitetura da Felicidade

Podemos observar que, em nossa sociedade, praticamente todos procuram construir a felicidade nos terrenos de suas vidas. Parece, entretanto, que a engenharia da felicidade é, para muitos, a ciência mais difícil, não só pela subjetividade do tema, como também pela distorção do conceito, promovida em grandes escalas por corporações e poderosos, armados de suas britadeiras e outros instrumentos de alienação em massa.
A felicidade é um belo edifício, e seu interior é confortável e prazeroso, causando bem-estar. Epicuro era um filósifo grego, não arquiteto. Mas ele nos diz que os principais alicerces da felicidade são as amizades verdadeiras, a liberdade e uma vida autoanalizada. No topo deste edifício, deveria haver a saúde e os prazeres, e o zelador, deveria estar dotado de bom senso e objetivos bem estruturados. Um shopping, segundo Epicuro, seria a completa antítese ou distorção dos conceitos pilares da felicidade.
O problema é que, agora, estes pilares estão em ruínas: as amizades são falsas e superficiais, e há uma epidemia de individualismo; a liberdade do pensamento, a mais fundamental, está em decadência, vista a alienação geral da sociedade, que produz indivíduos ignorantes, incapazes de refletirem sobre a vida.
Portanto, para que as pessoas deixem de ser mão-de-obra barata e passem a ser engenheiros e arquitetos de uma vida feliz, devem aprender a se libertarem dessa cegueira coletiva, para então desenharem bem as bases de um bom futuro, que se sustente em seus alicerces sorridentes.

De Israel Silva.