quinta-feira, 17 de março de 2011

#Diário #Documentário - Minha família e eu, vítimas do sistema.

Breaking news. Algo está errado.
A família está bem por enquanto. Estamos passando por uma fase ficanceiramente difícil, e isso estressa meu padrasto, que estressa minha mãe, que me estressa. Tudo bem, todavia. O equilíbrio virá. Mas algo está errado.
Por exemplo com minha sobrinha. Com 15 anos, linda, cheia de talento e potencial. Minha sobrinha, a qual eu encontrei certo dia vagando nas ruas de Mairiporã. Na ocasião abracei-a com ânimo, mas logo percebi: há algo errado. Pele ressecada, cabelos negligenciados, rosto repleto de pequenas feridas, olhar cansado e seco, mãos mui secas e ásperas. Não, essa não era a sobrinha que eu sempre tive. Mui contraditoriamente, lá estava ela, bem vestida e perfumada. Abismei-me. Pus-me logo a perguntar para onde ela estava indo. Claudinha* sempre fora sincera comigo. Tentando superar a vergonha, respondeu-me com o olhar disperso:
* nome fictício

- Estou indo fazer coisas erradas.

Naquele momento tive um grave sentimento de decepção, perda, infelicidade, até fracasso. Mas nenhuma surpresa. Há tempos eu sabia que suas companhias não eram adequadas, e a educação que ela recebia do pai e da madrasta era equívoca, ineficaz, ignorante... Sempre que nos víamos, eu e minha sobrinha,  eu fazia questão - como um tio-pai-apaixonado - de aconselhá-la da melhor forma possível. Infelizmente nossa distância e falta de contato fizeram com que o o meio em que ela vive vencesse os meus conselhos.
Esta era agora a situação de minha querida sobrinha: viciada em cocaína, usuária de maconha e traficante de lança-perfume, vinha cometendo furtos para sustentar o vício, tendo sido expulsa de casa, indo assim morar com traficantes. Quinze anos de idade.

Há algo errado. É como se as histórias se repetissem, é como se o tempo andasse em círculos, preso num sistema opressor. O que ocorre agora com minha sobrinha ocorreu já antes com sua mãe, minha irmã, que há dezoito anos atrás usava crack, maconha e era casada com um traficante, hoje ex-traficante, pai de minha sobrinha. O mesmo homem que espancou minha mãe em minha frente quando eu tinha apenas quatro anos (e lembro, jamais esquecerei), ameaçou matar minha irmã diversas vezes... O mesmo homem pelo qual não guardo ódio ou remorso. Ele, afinal, também é vítima do mesmo sistema que prende o tempo.

Mas que sistema é esse, afinal? É um sistema inerentemente corrupto, antinatural, degenerativo. Não se trata do anticristo, tampouco de cristo; não é culpa do capitalismo ou do socialismo; não é um sistema criado pela nova ordem mundial ou a maçonaria. Trata-se do sistema humano mais profundamente arraigado em nossa sociedade. Um sistema que está consumindo à tudo, inclusive à si mesmo. Um sistema que está entrando em colapso, e que irá morrer num processo de Mudança de Era.
Enfim, enquanto isso tudo ocorre, vou tentando equilibrar meu sonhos, minhas lutas, minhas angústias e esperanças. Sou, afinal, uma vítima pouco ferida, e existem pessoas mais afetadas.

Apresentar-vos-ei: Zeitgeist Addendum: Uma mudança de era.



* Dicas:
-  Este filme é uma superprodução independente, vale a pena conferir.
-  Para as legendas em português, clique no triângulo voltado para cima, na barra do player. Em seguida você verá um botão "cc" com um pequeno triângulo para a esquerda. Clique nele, e você verá uma lista de línguas. Clique em "more" até que a opção "portuguese" apareça. Clique em portuguese e divirta-se.
-  Recomenda-se assistir em tela cheia.
-  Se for melhor para você, assista direto no youtube, a legenda aparecerá sozinha:  http://www.youtube.com/watch?v=EewGMBOB4Gg

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Pra Quem Não Me Conhece


O texto à seguir está presente no meu livro, Pensassonhos, à ser lançado muitíssimo em breve, através da editora Anadarco. Posso dizer que o trabalho está ficando muti bom. Enfim, pra quem não me conheço, aqui vai uma palinha sobre mim.

...







De Alguma Forma sou de Forma Alguma


Eu.

Allegretto.

Eis que me apresento, me ponho sobre a mesa
Com (in)certa transparência e fosforescência
Tentando não ser tão estranho desconhecido
Pra quem me lê e de mim toma consciência.

...

Sou alguém (isso posto, fato é)
No meio do trânsito de muitos alguéns.
Sou, isto é fato.
Sou:

Moldado e constituído a base de
Carbono e H2O
Dentre outras ofensas bioquímicas.
Minha carcaça física material
É orgânica simétrica bilateral.

Sou tanto um quanto milhões,
Tanto ponto quanto reticências (...).
Sei que sem nenhuma transcendência,
Habito algum lugar no planeta Terra,
Na Via Láctea, na universal displicência,
Ou nalgum lugar em lugar algum.

Sou forma de vida inteligente.
Sou vida sem forma, consciente.
De alguma forma sou de forma alguma.

Poderia dizer que sou um animal
Multicelular mamífero primata
Perdido na tensa densa mata
Da civilização mundial.

Sou um indivíduo individual, peça qualquer
No recente tabuleiro da Humanidade.
Sou ser humano, antes de tudo. Ser humano...
O produto talvez mais insano
Da divina insanidade. (amém)

Sendo eu um ser humano,
(Criatura inteligente, mas não inteligível)
Sendo “Eu”: me expresso.
Assim, posso me expressar e dizer,
Nesse plausível momento sensível:

Sou um ser humano, multifocal, multiartístico, interativo e que interage com a multirrealidade (perceptível realidade incompreensível).
Sou um aglomerado de átomos, que de forma alguma, de alguma forma, tornou-se vivo e consciente de si mesmo.
Sou um jovem ser humano que pensa, logo existe. De alguma forma sou de forma alguma. E me chamo Israel Silva, prazer.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

A Arquitetura da Felicidade

Podemos observar que, em nossa sociedade, praticamente todos procuram construir a felicidade nos terrenos de suas vidas. Parece, entretanto, que a engenharia da felicidade é, para muitos, a ciência mais difícil, não só pela subjetividade do tema, como também pela distorção do conceito, promovida em grandes escalas por corporações e poderosos, armados de suas britadeiras e outros instrumentos de alienação em massa.
A felicidade é um belo edifício, e seu interior é confortável e prazeroso, causando bem-estar. Epicuro era um filósifo grego, não arquiteto. Mas ele nos diz que os principais alicerces da felicidade são as amizades verdadeiras, a liberdade e uma vida autoanalizada. No topo deste edifício, deveria haver a saúde e os prazeres, e o zelador, deveria estar dotado de bom senso e objetivos bem estruturados. Um shopping, segundo Epicuro, seria a completa antítese ou distorção dos conceitos pilares da felicidade.
O problema é que, agora, estes pilares estão em ruínas: as amizades são falsas e superficiais, e há uma epidemia de individualismo; a liberdade do pensamento, a mais fundamental, está em decadência, vista a alienação geral da sociedade, que produz indivíduos ignorantes, incapazes de refletirem sobre a vida.
Portanto, para que as pessoas deixem de ser mão-de-obra barata e passem a ser engenheiros e arquitetos de uma vida feliz, devem aprender a se libertarem dessa cegueira coletiva, para então desenharem bem as bases de um bom futuro, que se sustente em seus alicerces sorridentes.

De Israel Silva.