sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Pensassonho



Que é esse vão palavrão?
Essa palavra inventada,
Esse dono sem cão,
Esse cão na estrada?


Pensassonho é um pensamento livre,
É livro livre, sonho que flui lento.
É rápido, é lógica, elétrico talento
Nos fios frios de lá de dentro do pensamento.

(É um fluido que se torna forma recipiente)

Pensassonho é liberdade da mente
que se sente.
Oxigênio suficiente.

Para gerar um pensassonho,
Fundir ferro com vento.
Dando aos pensamentos asas de sonho,
Dando aos sonhos força de pensamento.


Unir coisas antagônicas:
Juntar o dia e a noite.
Fazer amor em meio a piadas cômicas,
Derrotar ditadores, calar o açoite...

Pensassonho é uma base para construir.
É o início, tentativa de pensar sem pesar...
(Princípio da Incerteza).
— Portanto: 
                     pense, sonhe, pensassonhe.

domingo, 11 de setembro de 2011

Nesse Momento



Te domino,
Te                d  e  s  f  a  ç  o
Nesse                       espaço.

Ouço o sino:
Já é hora!
O resto é fora,
Agora é dentro.
Nós somos dentro,
Nós somos agora.
(Eu vampiro sedento em ti adentro.).

              Eu tenho, eu sou teu explosivo.
Invado-te.
 (Bem como queres                –           e como queres...).
Eu sei...

Daí provo-te... (humm...)
Tu me tocas...
(Bocas)
Me sufocas...
Me deslocas...
(Aqui dentro do meu peito tu és tão presente).
(Aqui dentro eu te aceito eu te necessito).

— Ah! Diga coisas loucas!

Quero ouvi-las
Quero senti-las
Abraçá-las vê-las
Beijá-las
Acariciá-las praticá-las!
— Sim, essas coisas loucas todas que tu falas!

Nossa fúria!
       Sua mão.
             Nossas mãos,
                      Seu coração.
                          Nossos corações.
Seus lábios,
                   Nosso beijo.
Nossos beijos...
Ensejos.
Sejas.
Daqui não me retiro,
Não me despeço,
Tudo esqueço,
Me disperso,
Não me canso.
Sou de aço!
Aperta o laço!
(Este que nos une)

(risos)        Faço cócegas no seu ventre,
Realizo fantasias numa leitura dinâmica
Penetrando nas paredes da tua mente...
Vai, fala sério, não mente.

Eu te caço.
Isso não passa!
Os minutos, passos sem pressa.
O tempo outrora escasso
                  Agora espaço.
T e d o m i n o t e d e s f a ç o n e s t e e s p a ç o
Te domino com efeito 
...feito:                                                                                   D o M i N ó

Momento lento sem vem: fim assim.
...
Ao final da tarde...

— Lembra-se do tempo?
— Ah, nesse momento nem lembro nem temo.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

(Entre)vista: Thiago Cervan



Mais uma breve entrevista realizada por um carinha que não é jornalista mas é curioso. E é sendo curioso que se aprende, não decorando fórmulas, mas chegando à elas, e ainda assim nunca tomando apego à elas, mas antes, um sentir. 

Dessa vez trago aqui as palavras de um camarada da cena artística atibaiense underground psiconauta cosmolocal. Verdadeiro ativista, vale a pena conhecer a poesia e a arte urbana desse "manolo".

Thiago Cervan é filho das ruas cinzas do ABC e fazedor de coisas. É um viciado na palavra.
Foi publicado na antologia “Balões Coloridos” pela Editora Via Literária com a crônica “ A puta passageira” e participou do livro “Microcontos” organizado por José Luiz Goldfarb, lançado em 2010. Também colabora mensalmente na Revista Kalango.
Como roteirista tem diversas participações em curtas-metragens.
Possui um trabalho de poesia visual nas ruas e também é um dos idealizadores do Sarau do Manolo, evento que acontece em Atibaia/SP
Atualmente prepara o lançamento de seu primeiro livro de poesias o “Com Verso Fiado”.




http://thiagocervan.com.br/site/index.php


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Israel Silva: Quando e como você se iniciou nesse mundo doido das artes?


Thiago Cervan: Tem uns três anos que escrevo regularmente. Comecei com essa história de experimentar meu trabalho em outros suportes em 2009, quando fiz um curso de audiovisual na Difusão Cultural com Rodrigo Koni, com isso, realizei alguns curtas e nanometragens e com essas produções participei do Curta Atibaia e do Festival do Minuto. Meus trampos de stencil/serigrafia/colagem começaram depois que entrei em contato com o Matias Picon por meio da Galeria Mutante/Atelier Undergrude, isso foi no ano passado.

Israel: O que veio primeiro, a “poesia escrita” ou a visual? 

Cervan: A poesia “tradicional” veio primeiro.

Israel: Você atribui sua atividade à algum acontecimento de sua infância? Ou seja, você acha que alguma coisa foi responsável por acender sua tua faísca artística?

Cervan: Estudei música clássica por mais de dez anos. Desde sempre fui curioso, mas não há nenhum fato marcante ou desencadeador.
Israel: Quem te acompanha no facebook vê que você é um cara bem engajado. Você vê a arte como arma de transformação social?

Cervan: Toda arte é política e deve ser transformadora. A arte que não dialoga com o seu tempo, a meu ver, tem pouco valor.

Israel: O que você acha do fato de a “arte popular” atual estar tão distante das causas sociais?

Cervan: A arte, assim como tudo, é um produto histórico da sociedade. A arte que o grande público acaba consumido está nas mãos de grandes empresários e serve a uma estrutura podre de poder. Acredito mesmo é em pequenos grupos de pessoas trabalhando de forma autônoma para mudar a realidade local. Nos anos setenta o lema já era “pensar globalmente, agir localmente”. Não posso ficar preocupado em mudar o mundo se não mudo nem a minha rua.

Israel: Manolo, planos para o futuro?

Cervan: Produzir bastante, ler muito, viajar, ou seja, viver bem.

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Encontre os trabalhos de Cervan (ou ele próprio) também através dos seguintes links:


domingo, 28 de agosto de 2011

Motivar-te!



Serve pra desafogar-se e inundar-se de Vida Viva e sem disfarce; É para amar o amor mar, para não matar, para se deixar se chorar; Para ir carpir o mato que cresce no seu tato; Lembrar, lembrar e se esquecer; respirar pirotécnico e pirar e sufocar as mágoas, voar águas e beber águias; para apaixonar-se quebrar o céu rasgar o véu; para fugir e se achar...

Pra dar amar amor fulgor; pra vicissitudes vícios atitudes altitudes quietas quitutes sutis vis civis; pra palavrear palavrão tão teto quanto chão tão sim quanto não coração arroz feijão são; pra louco demente mente semente sente maluco doido tendo ido longe demais por hoje; pra (des)organizar as coisas num lugar achar noutro (des)encontrar; pra (ar)tesão beijo paixão sexo sem nexo; pra feliz aprendiz fossa bossa nossa coça roça moça bonita e meu violão!; 

pra inteligência ciência crença raça  religião mundão inteiro!; pro (a)normal ser humano racional transcendental (in)orgânico animal elétrico eletrônico biônico robótico ciborgue telescópico; pra todas as criaturas vivas do universo; pros alienígenas (des)alienados e civilizações extras extraterrestres extrauniversais extraordinárias ordinárias ou não; pro irreal tópico utópico imaginário... Pra tudo!

Arte! Pois somos humanos!

domingo, 21 de agosto de 2011

Lamaluz




à Alika Finotti

Um Shaman perdido                                                      um talvez
Homem – expresso                                                      eterno               paciência
Imerso em simplicidade, de si, do resto. Sem rótulo. Sem rótula.
Em paz, ciente.
Humilde criatura nascida n’África, quiçá planeta Terra,              nascida do resto
Filho da célula primeira, filho da mãe, filho
                                                                    Da Existência agora autoconsciente.
T u p y
T u c a n o d a m a t a c o l o r i d a.
Uma hora, uma hora o filho pródigo volta à casa.                              Don’t worry.
O prodígio volta pródigo à lama             -                     sim, por os pés na lama e                                                                                                                                                                                                             sentir o espírito mineral, a penetração sexual dos sais nos poros
Contato imediato de santo graal.

Agora há o sentir da essência ao longo dos longos.
Agora surge um ciborgue orgânico, que dança em raves viranoites viralatas.
Um ser extracorpóreo transcende os limites da pele
                                                                             Suor tônico de dança osmótica.
Quebra a muralha, há a percepção da totalidade.
 Molda a nova percepção com barro. O filho do laser e do gelo seco, a personificação transmoderna da psicodelia.
A criação, em sua humildade, vive em aldeia.
Glóbulo, globo, na veia, fluxo informacional da Existência.
Dance! E ligue-se à natureza. Na lama fosforescente, o espírito passa a existir.


sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Revolução Elétrica



Livres elétrons sem massa
Massivamente correnteiam
geram atrito, calor, queimam.

Um coração inflamado
queima enquanto acorda.

Desfibrilador                     dor
Dor ressucitante                recitante
queima enquanto acorda - acorde
Sem dó.                                             Dó menor.

Vejo mil
Corpos queimados
Dois mil
Olhos estalando
Glóbulos e partes
De um todo
Correndo sobrevivos
Numa solução plasmática insolúvel
Corrosiva em corredores.

Vejo coágulos queimados
Nos fios de alta tensão

Elétrons gritantes, lampadas mágicas e
Gênios retirantes desesperançosos negativamente caregados
Cansados de suas órbitas cotidianas.

Tudo confuso nervoso anamórfico
Tudo queima enquanto acorda.
...

Na nossa marcha eletrônica
o circuito é tenso, e as resistências
grandes. Passamos e incandescemos.
Luz, calor, tudo muito chocante.

Nas ruas, as lâmpadas acendem,
E tudo queima enquanto acorda.